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Micaruba
Pitimbu
A MULHER QUE EXPULSOU O DIABO DE TIMBAÚBA
Uma mulher carrancuda Que só pensava em amor Mas, a peste do diabo Disfarçado de doutor Queria a todo custo Lhe prestar qualquer favor
Ele pensava em romance Para conquistar apreço Só falava de amor Coisa que sempre esqueço Pretendendo mostrar valor Sem cara e endereço
Antônia Julieta Era como ela atendia Desprezada por todos Não tinha mais alegria Só o danado do cão Transformava seu dia
Foi chegando de mansinho E fez toda a peleja Desrespeitou o padre Jogou pedra na igreja Depois disso perguntou Se o galo cacareja
Toda vida ele foi ruim Nunca fez um beneficio O odierno inventou Para doido no hospício Sua mãe de bala matou Dando ela pra sacrifício
Só o que tinha era o amor Por Antônia Julieta Para ajudar fez Lampião Ressuscitar da gaveta Para tal ocasião De rir e dar pirueta
Só me “alembro” que o cabra Era um aproveitador Mas Julieta não sabia Deste tal conquistador Em toda frase que dizia Ele pronunciava amor
Friamente foi enganando A bonita donzela Para que num breve dia Pudesse conquistar ela Mas na verdade ele levou Um bicudo na canela.
Eu só sei que essa moça É “braba” que só o cão Jogou pedra num bebum Fez corno comer sabão Mas o badé não esperava Sofrer tal humilhação
Julieta desconfiava Daquele nobre cidadão “Cutucou” por todo canto Atrás da revelação E depois disso descobriu Que o safado era o cão
Ele havia “arribado” Por que diabo foge da cruz Só por causa do medo De ser corno cuscuz Esse pequeno fato O medo firmemente traduz
A mulher é traiçoeira Veja que situação Depois de tanta coisa Veio a realização A Antônia Julieta Botou o cão na perdição
Experimentou do pão Que ele mesmo amassou E com o acontecimento O danado se matou Se passaram quinhentos anos E ele ainda não descansou
Isso tudo se passou E o cão odierno Olhou e não percebeu Que Antônia “tava” por perto Ela veio foi expulsar O corno do inferno
Ela atentou todo mundo E se juntou a Lampião Concretizando a vingança Contra o rei da perdição Por isso que muitos dizem Que ele é pior que o cão
Com essa reviravolta Lhe digo que o inferno Faltou pouco pra virar Com esse jeito moderno Que só era desatino Atrás do odierno
Antônia Julieta Se aliou com Lampião Destruindo tudo que via E fazendo armação Para ver se pegava O desgraçado do cão
Não sei porque os capetas Se esconderam com medo Mas toda vida quis saber O temível segredo Como expulsar o diabo E prendê-lo no lajedo
Vi tanto do folguedo Com aquela diversão O inferno constantemente Vive em Perseguição E ainda teve urna festa Melhor do que São João
Armado o rebuliço E tudo revirado Tapa foi e tapa veio Atrás daquele safado Mas ainda não se encerrou o drama retratado
Tudo que era desgraça Julieta pronunciou O lugar era propício Por isso ninguém comentou E depois do sacrifício O safado ela achou
A mulher que o expulsou Conquistou o maior troféu Um pequeno lugarzinho Maravilhoso pra “dedéu” Um famoso cantinho Lá no extremo do céu
Depois de tanta procura O diabo ganhou destino Me lembro muito bem Quando ainda era menino Que ele se matou no inferno Acabando o desatino
E o mundo voltou a ter paz Sem haver qualquer espanto Bom menino e bom rapaz Tudo com maior encanto E assim o respeito Instaurou-se em todo canto
O capeta arruinado Não causa mais espanto Arribou de Timbaúba Pra atender n’outro canto E consumado o fato Do badé que está em pranto
Bem, amados amigos Não fiquem só na ficção Espero que aprendam E coloquem em ação Trazendo para sua vida A bem-vinda realização
Enfim a luta continua Continuemos a missão Expulsem o capeta Do fundo do coração Andando firme na vida Pra não cair em tentação
Repito com clareza Reflitam com atenção Cuidado com a mídia Jornal, rádio e televisão Para não se poluir Abra o olho meu irmão!
Esta é a hora de partir E fazer outro conto Quem sabe lá na frente Não tem outro encontro Ou poderemos marcar Um mais novo confronto
Antônia Julieta Está descendo do céu Por isso vou desaparecer Para não virar pastel Antes que aquela peste Me expulse do cordel.
FIM