Francinildo Kleyson

A MULHER QUE EXPULSOU O DIABO DE TIMBAÚBA

Meus queridos amigos
Quando plantava carnaúba
Uma história me interessou
Também a ouvi em Natuba
A MULHER QUE EXPULSOU
O DIABO DE TIMBAÚBA

Uma mulher carrancuda
Que só pensava em amor
Mas, a peste do diabo
Disfarçado de doutor
Queria a todo custo
Lhe prestar qualquer favor

Ele pensava em romance
Para conquistar apreço
Só falava de amor
Coisa que sempre esqueço
Pretendendo mostrar valor
Sem cara e endereço

Antônia Julieta
Era como ela atendia
Desprezada por todos
Não tinha mais alegria
Só o danado do cão
Transformava seu dia

Foi chegando de mansinho
E fez toda a peleja
Desrespeitou o padre
Jogou pedra na igreja
Depois disso perguntou
Se o galo cacareja

Toda vida ele foi ruim
Nunca fez um beneficio
O odierno inventou
Para doido no hospício
Sua mãe de bala matou
Dando ela pra sacrifício

Só o que tinha era o amor
Por Antônia Julieta
Para ajudar fez Lampião
Ressuscitar da gaveta
Para tal ocasião
De rir e dar pirueta

Só me “alembro” que o cabra
Era um aproveitador
Mas Julieta não sabia
Deste tal conquistador
Em toda frase que dizia
Ele pronunciava amor

Friamente foi enganando
A bonita donzela
Para que num breve dia
Pudesse conquistar ela
Mas na verdade ele levou
Um bicudo na canela.

Eu só sei que essa moça
É “braba” que só o cão
Jogou pedra num bebum
Fez corno comer sabão
Mas o badé não esperava
Sofrer tal humilhação

Julieta desconfiava
Daquele nobre cidadão
“Cutucou” por todo canto
Atrás da revelação
E depois disso descobriu
Que o safado era o cão

Ele havia “arribado”
Por que diabo foge da cruz
Só por causa do medo
De ser corno cuscuz
Esse pequeno fato
O medo firmemente traduz

A mulher é traiçoeira
Veja que situação
Depois de tanta coisa
Veio a realização
A Antônia Julieta
Botou o cão na perdição

Experimentou do pão
Que ele mesmo amassou
E com o acontecimento
O danado se matou
Se passaram quinhentos anos
E ele ainda não descansou

Isso tudo se passou
E o cão odierno
Olhou e não percebeu
Que Antônia “tava” por perto
Ela veio foi expulsar
O corno do inferno

Ela atentou todo mundo
E se juntou a Lampião
Concretizando a vingança
Contra o rei da perdição
Por isso que muitos dizem
Que ele é pior que o cão

Com essa reviravolta
Lhe digo que o inferno
Faltou pouco pra virar
Com esse jeito moderno
Que só era desatino
Atrás do odierno

Antônia Julieta
Se aliou com Lampião
Destruindo tudo que via
E fazendo armação
Para ver se pegava
O desgraçado do cão

Não sei porque os capetas
Se esconderam com medo
Mas toda vida quis saber
O temível segredo
Como expulsar o diabo
E prendê-lo no lajedo

Vi tanto do folguedo
Com aquela diversão
O inferno constantemente
Vive em Perseguição
E ainda teve urna festa
Melhor do que São João

Armado o rebuliço
E tudo revirado
Tapa foi e tapa veio
Atrás daquele safado
Mas ainda não se encerrou
o drama retratado

Tudo que era desgraça
Julieta pronunciou
O lugar era propício
Por isso ninguém comentou
E depois do sacrifício
O safado ela achou

A mulher que o expulsou
Conquistou o maior troféu
Um pequeno lugarzinho
Maravilhoso pra “dedéu”
Um famoso cantinho
Lá no extremo do céu

Depois de tanta procura
O diabo ganhou destino
Me lembro muito bem
Quando ainda era menino
Que ele se matou no inferno
Acabando o desatino

E o mundo voltou a ter paz
Sem haver qualquer espanto
Bom menino e bom rapaz
Tudo com maior encanto
E assim o respeito
Instaurou-se em todo canto

O capeta arruinado
Não causa mais espanto
Arribou de Timbaúba
Pra atender n’outro canto
E consumado o fato
Do badé que está em pranto

Bem, amados amigos
Não fiquem só na ficção
Espero que aprendam
E coloquem em ação
Trazendo para sua vida
A bem-vinda realização

Enfim a luta continua
Continuemos a missão
Expulsem o capeta
Do fundo do coração
Andando firme na vida
Pra não cair em tentação

Repito com clareza
Reflitam com atenção
Cuidado com a mídia
Jornal, rádio e televisão
Para não se poluir
Abra o olho meu irmão!

Esta é a hora de partir
E fazer outro conto
Quem sabe lá na frente
Não tem outro encontro
Ou poderemos marcar
Um mais novo confronto

Antônia Julieta
Está descendo do céu
Por isso vou desaparecer
Para não virar pastel
Antes que aquela peste
Me expulse do cordel.

FIM