Sorrir e dar gargalhada
E tudo que a gente quer
Quando tenta, às escondidas,
Descobrir todo mister,
Enveredando no centro
Dos brebotes que têm dentro
Da bolsa de uma mulher,
Lá dentro têm bugigangas
Que até Meu Deus duvida,
Pois tem um pouco de tudo
Que existe nessa vida.
Peço então ao mulherio
Feminino do Brasil
Pra tocar nessa ferida.
Na bolsa da mulher têm
Pó-de-arroz, ruge e batom,
Papel, cartão de visita,
Bala, confeito e bombom.
Lavanda de alfazema,
Anel, bobe e diadema
Do tempo do rom-com-com.
Caderneta, cadeado,
Carteira de identidade,
Moedas de 10 centavos
Para fazer caridade,
Chave de abrir arquivo,
Calcinha, preservativo
E camisinha à vontade.
Esmalte, lixa de unha
Óculos e creme dental.
Escova, cílios postiços,
Lacto Pulga e Sonrisal.
Lápis, caneta e isqueiro,
Talão de cheque, dinheiro
E adoçante Zero Kal.
Camisola, bustiê,
Foto de cantor famoso,
Álbum de família unida
E de marido lustroso,
Agenda, cartão-postal
E biquine fio dental
Chamado cordão cheiroso.
Contas de água e de luz,
Tiques para pagar passagem,
Vic Vaporub, AAS,
E creme para massagem.
Cartão pra telefonar
E celular pra mandar
E pra receber mensagem.
Clipe, agulha e alicate
E sombrinha para chuva.
Maquiagem para os olhos,
Violeta cor-de-uva,
Capa pra não se molhar,
Espelho pra se olhar,
Cinto, trancelim e luva.
Pílula, lenço de papel,
Alfinete e cotonete.
Sutiã levanta-os-peitos,
Conhecido por corpete
Tomara-que-caia-a-alça.
Guardanapo, meia-calça,
Pastilha, doce e chiclete.
Tem creme desodorante
E Brilhantina Zezé.
Tem também Leite de Rosas
Para pistirrar no pé.
Patuás, brincos, chocalhos
E outros penduricalhos
Vindos da Nova Guiné.
Muito perfume francês
Prá mulher de fino trato,
Desses de cheiro suave
Que embriaga o olfato.
Sabonete Alma de Flores
De envolventes sabores
Do bom, bonito e barato.
Lá, tem diversos produtos
Pros gostos mais exigentes
Das mulheres vaidosas.
Tal e qual, absorventes,
FuIô de manjericão,
Xampu de ovo, algodão
E Cepacol para os dentes.
Uma vez, vi um ladrão
Passar o maior vexame
Quando resolveu roubar
A bolsa de uma madame.
O tal gatuno safado
Vendo que fora enganado,
Quase sofreu um derrame.
O assaltante, contente
Com o ganho da roubança,
Fugiu depressa, dizendo:
- Eu agora enchi a pança.
Mas, na bolsa da madame
Tinha um rolo de arame,
Frauda e cocô de criança.
Na bolsa da mulher rica
Só têm coisa valiosa.
Cartão Banco do Brasil
E anágua cor-de-rosa.
Perfume só do melhor,
Marca Cristian Dior
Prá dona ficar cheirosa.
Na bolsa da mulher pobre
De valor tem quase nada.
Só tem lenço de catarro,
Paninho e roupa mijada,
Toalha velha e imunda
Que de tanto secar bunda
Ficou fedendo a qualhada.
Na bolsa da mulher rica
De dinheiro tem um monte.
E tão grande a dinheirama
Que não existe quem conte.
Quem olha prá dona, vê
Que a bolsa é feita de
pele de rinoceronte.
Na bolsa da mulher pobre
Tem meia que só tem um pé,
Rasgada no calcanhar
E fedida de chulé.
E cheiro ruim, enjoado
De peixe podre comprado
No Mercado São José.
Na bolsa da mulher rica
Só tem produto afamado.
Tem chaves e documentos
Do seu carrão importado.
Bonita e bem educada,
Vê-se logo que é cercada
De luxo por todo lado.
Na bolsa da mulher pobre
O fundo todo rasgou-se.
O zíper não funciona
E a alça já torou-se.
A dona só pensa noutra,
Mas não pode comprar outra
Pois o dinheiro acabou-se.
Na bolsa da mulher rica
Há um sinal de nobreza.
Sua maneira elegante
Reflete toda beleza.
Sua bolsa muito fina
Com sua roupa combina
Em distinção e leveza.
Na bolsa da mulher pobre
Tem problemas de “montão”.
A dona cata dinheiro
Porém não acha um tostão.
Lamentando a vida ingrata,
Encontra rato e barata
Na hora que passa a mão.
A bolsa para a mulher
E sinal de elegância.
Ela usa esse aparato
Sem nenhuma extravagância,
Consciente, na verdade,
Que somente a vaidade
E o que tem importância.
Mas, o que mais interessa
No fundo desse mister
E entendermos por que
Tudo que um homem quer
E meter a mão no centro
E saber o que tem dentro
Da bolsa de uma mulher.